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Hiperatividade

4 de abril de 2018

Por Ana Clara Dantas

O avanço da tecnologia e as novas frentes de estudos nas áreas da medicina e psicologia proporcionam à comunidade mundial a possibilidade de conhecer e diagnosticar algumas doenças ou distúrbios que sempre existiram, mas não eram detectados facilmente.

Agitação, falta de atenção, não permanecer sentado por muito tempo são “comportamentos” que, até pouco tempo atrás, eram traduzidos como desobediência ou falta de educação. Porém, hoje em dia, são considerados sintomas de distúrbios crônicos que poucos conhecem: hiperatividade, transtorno de déficit de atenção (TDA), transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e dislexia, comuns em crianças, principalmente em meninos.

É importante divulgar informações sobre esses distúrbios. Assim, os pais e professores têm condições de detectar uma possível alteração de comportamento na criança e encaminhá-la para uma avaliação profissional.

Segundo a psicóloga Priscilla Olivieri de Oliveira Horn, CRP 14/02649-1, esses distúrbios podem atrapalhar o desempenho escolar: “Pode prejudicar o desempenho, pois as pessoas que possuem esses transtornos não conseguem ter foco e manter a concentração nas atividades. Ou seja, se distraem com muita facilidade. Por isso, é importante o tratamento desde a infância, porque dessa forma os prejuízos na aprendizagem são bem menores”.

A hiperatividade faz com que a criança, ou até mesmo o adulto, viva em um estado excessivo de energia. A criança hiperativa mostra um comportamento diferente em relação às outras, com dificuldade em manter a concentração, impulsividade e agitação.

O TDA e TDAH são transtornos neurobiológicos de causas genéticas, geralmente aparecem na infância, mas acompanha o indivíduo por toda sua vida, tem tratamento e em alguns casos são prescritos remédios controlados e vendidos apenas com a apresentação de receita médica.

A dislexia já é diferente de todas as outras, uma pessoa que tem esse distúrbio sofre com a dificuldade de reconhecimento das palavras, inversão de letras e números e problemas de memorização. Nos disléxicos, ocorre uma falha, ainda durante a gravidez, com as células que irão formar o sistema nervoso. Isso vai provocar dificuldade em fazer as informações transitarem de maneira adequada na área cerebral, responsável pela leitura e escrita. Essa doença não tem tratamento, mas o indivíduo pode ter acompanhamento pedagógico, que auxilia no desenvolvimento de suas próprias estratégias para lidar com os obstáculos da dislexia.

De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), o distúrbio é considerado o de maior incidência dentro da sala de aula, atualmente atinge de 3 a 5% das crianças, e de forma mais severa na fase de alfabetização.

“A dislexia é um transtorno que exige tratamento com equipe multidisciplinar, integrando um psicólogo, fonoaudiólogo, psicopedagogo e neurologista. Quanto mais cedo começarem as intervenções, maiores são as chances de a criança conseguir uma qualidade de vida melhor. Caso o paciente não realize o tratamento pode sim piorar”, afirma a psicóloga Priscilla Olivieri de Oliveira Horn.

Todos esses distúrbios têm tratamento e/ou controle, se o paciente tiver o acompanhamento de profissionais especializados. Quanto mais cedo for realizado o diagnóstico, maior será a possibilidade da criança acostumar com as dificuldades e ter uma vida adulta mais tranquila.